Foi com solidariedade e auto-organização, que 30 mulheres de diferentes
movimentos sociais e organizações da Zona da Mata mineira percorreram, na
última semana, os mais de 770 km que separam Viçosa a Varzelândia, no Norte de
Minas. Entre os dias 17 e 19/04, aconteceu a IV Ação Internacional da Marcha
Mundial de Mulheres (MMM) e V Marcha do Coletivo de Mulheres do Norte de Minas,
em defesa da integridade dos “corpos, territórios e trabalhos”.
A primeira atividade da programação ocorreu na tarde da sexta-feira
(17/04), quando as caravanas mineiras e de outras regiões do Brasil, se uniram
em um ato público, nas ruas de Montes Claros. Foram denunciados os impactos dos
projetos de mineração que descumprem a legislação ambiental no estado. Além
disso, foi entregue ao promotor de meio ambiente, Daniel Piovanelli Ardisson,
um documento, assinado por mais de 30 movimentos e organizações, explicitando
quais os direitos têm sido violados pelos empreendimentos e apresentando
propostas de intervenção.
Um debate envolvendo feminismo, reforma política, agroecologia e
violação de direitos socioambientais no Brasil mobilizou mais de 1200 pessoas
em Varzelândia, no sábado (18/04). Na tarde do mesmo dia, uma feira de economia
popular feminista e solidária foi montada na praça central da cidade e contou
com a participação de representantes de 31 municípios mineiros.
A Marcha foi encerrada com uma passeata pelas ruas da cidade com mais de
três mil mulheres, no domingo. Fim das diferentes violências contra as
mulheres, acesso às políticas públicas, desburocratização do crédito e
financiamento, maior eficiência dos órgãos protetores do Estado, fiscalização
dos projetos de mineração e reforma política foram algumas das reivindicações
levantadas.
Para
a agricultora familiar de Santana do Manhuaçu, Maria das Graças Neto, participar
da Marcha foi uma experiência muito positiva. “As mulheres daquela região têm
um sofrimento muito grande por conta da mineração. Valeu muito a pena estarmos lá
com nossas bandeiras de luta e nossos gritos de ordem. Acreditamos que vão acontecer
mudanças, a partir das nossas ações, e a gente tem que continuar lutando”.
A viagem das agricultoras da Zona da Mata mineira contou com o apoio da Coordenadoria Ecumênica de Serviço (CESE).
A viagem das agricultoras da Zona da Mata mineira contou com o apoio da Coordenadoria Ecumênica de Serviço (CESE).
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