domingo, 19 de abril de 2015

IV Ação da Marcha debate feminismo em Varzelândia

Como parte da programação da IV Ação Internacional da Marcha Mundial das Mulheres e da V Marcha das mulheres do norte, mais de 1200 mulheres estiveram reunidas em Varzelândia para um debate envolvendo os temas feminismo, reforma política, agroecologia e violação de direitos socioambientais no Brasil. O encontro aconteceu na manhã do sábado (18).


Miriam Nobre, uma das integrantes da Marcha Mundial das Mulheres, destaca que esta ação “é pela integridade dos nossos corpos e territórios, pelo direito de viver livre da dominação e opressão e pelo direito das mulheres viverem uma vida sem violência”.

O Norte de Minas é uma das regiões do estado que mais sofre com o avanço da mineração. E os impactos negativos desses mega empreendimentos também foram pautas do debate. “As mineradoras ocupam o nosso território e transformam os nossos montes em buracos”, afirma Miriam.

Para Paula, da Comunidade Quilombola Caxambu, espaços como esses são importantes para fortalecer as mulheres. “A conquista dos nossos direitos é uma conquista só e a gente fica observando que o direito de uma é o direito de todas”, aponta.

A tarde do mesmo dia foi reservada para a realização de uma feira com produtos agroecológicos e artesanais produzidos pelas mulheres e por comunidades tradicionais. Foram mais de 20 barracas que comercializaram, dentre muitos produtos, pimentas, sementes, pães, doces, tapetes e roupas.
“É um evento que muitas mulheres deviam estar, que acaba com o estresse. É um comprimido maravilhoso que a gente toma aqui” afirma a autora da farinha do pequi, Vicentina de Almeida, de Januária.

Maria de Lourdes Nascimento, agricultora familiar e presidente do Coletivo de Mulheres do norte de Minas, destaca que, embora o processo de montagem da feira seja recente na região, os aprendizados são grandes. Neste segundo ano de feira, mais de 31 municípios estão representados e a qualidade dos produtos “não deixa nada a desejar”. A expectativa é que a feira se torne uma atividade itinerante nos territórios que compõem o Coletivo e dê visibilidade à produção econômica e sustentável das mulheres.


sábado, 18 de abril de 2015

Mulheres marcham por direitos em Minas Gerais



        


            Teve início ontem (17/04), a IV Ação Internacional da Marcha Mundial de Mulheres (MMM) e V Marcha do Coletivo de Mulheres do Norte de Minas. Em Montes Claros, 300 mulheres marcharam pelas ruas da cidade em protesto aos impactos ambientais e sociais causados pela mineração, defendendo seus corpos, trabalhos e territórios.
            Por onde passaram mulheres de todo o estado mineiro e de outras regiões do Brasil se uniram em solidariedade à Marcha, percorrendo o trajeto de 2,5 km. As participantes enunciaram palavras de ordem, distribuíram materiais informativos e denunciaram as violações de direitos no norte do estado. O ato foi finalizado com uma intervenção em frente ao Ministério Público de Minas Gerais.

O promotor de Meio Ambiente, Daniel Piovanelli Ardisson, recebeu em mãos um documento, assinado por 30 organizações, enumerando os diversos prejuízos que os projetos de mineração acarretam à vida das mulheres e às comunidades tradicionais. A sobrecarga do trabalho pela escassez dos recursos naturais; a perda do trabalho gerador de renda; a redução na participação política e nas decisões legais de negociação com as empresas; o aumento da vulnerabilidade à exploração sexual, à prostituição e ao tráfico de mulheres foram alguns dos pontos levantados.
            Daniel Ardisson recebeu as reivindicações e informou que está tramitando uma ação do Ministério Público para suspender as licenças de algumas mineradoras em Minas e exigir a adequação dos empreendimentos que estão atuando de forma indevida.
Após a ação em Montes Claros, as caravanas de mulheres seguiram para Varzelândia e prosseguirão em Marcha durante todo o fim de semana. Estão previstas atividades de formação, feira agroecológica e um ato público nas ruas da cidade.


Mulheres em Marcha

Por Wanessa Marinho

Nem o calor escaldante de Montes Claros foi capaz de nos parar. “Seguiremos em marcha até que todas sejamos livres” é o tema da 4ª ação internacional da Marcha Mundial das Mulheres (MMM), da qual a nossa caminhada faz parte.

E o que é liberdade pra você? E o que é liberdade pra nós? “Liberdade é pouco. O que eu desejo ainda não tem nome’, afirmou uma vez Clarice. Nesse momento, eu poderia dizer que o que eu desejo tem nome sim: “direito”.
E digo mais: tem nome e sobrenome.

Direito de ir e vir nos horários que eu quiser. (Sem ter que ouvir: “O que uma mulher quer na rua a essa hora?” – do policial)

Direito de ter o corpo que eu quiser. (“É feia, gorda e mal amada. Coitada!” – do machistinha)

Direito de usar a roupar que eu quiser. (“Com uma roupa dessas é porque tá querendo!” – do desconhecido.)

Direito de igualdade de salários. (“O salário é diferente porque vocês são diferentes. Você sabe!” – do chefe.)

Direito de plantar agroecologicamente. (“Eu vou jogar veneno porque essa terra é minha!” – do marido)

Direito de permanecer no meu território. (“Vai ter que sair porque eu tô trazendo o progresso!” – do empresário da mineração.)

Direito de escolher ter um companheiro (a) ou não. (“Essa daí com essa mania de independência não vai arrumar ninguém!” – da família.)

Direito de abortar. (“Assassina!” – da maioria da população.)

Direito de não ser assediada pelo chefe ou pelo pedreiro. (“Me faz uma massagem?!” ou “Nossa, essa eu chupava até o caroço!” – Isso é assédio, não elogio e eu não sou obrigada!)

Direito de sair para beber sozinha ou com os amigos. (“Claro que ia ser estuprada. Esperava o quê?” – do conhecido (a))

Direito de escolher cuidar da casa e dos filhos. (“Ela é uma encostada, sustentada pelo marido!” – da amiga que trabalha.)

Direito de não ser espancada porque quem quer que seja. (“Se apanhou ou foi porque gosta ou porque mereceu!” – do vizinho.)

Direito de participação política. (“Pra quê? Mulher não entende nada disso!” – do entendido de política.)

Direito de ser MULHER!

O que tem pra hoje é ouvir frases como essas. Os direitos mínimos nós ainda não temos. Pelo contrário, tivemos o asfalto quente em Montes Claros ontem e, provavelmente, é o que teremos pra amanhã (em Varzelândia), onde continuaremos a nossa caminhada. Seguiremos em luta até que todas sejamos livres. Até quando?

sexta-feira, 17 de abril de 2015

Representantes da Zona da Mata e Leste de Minas partem para IV Marcha Mundial de Muleres

Com destino a IV Ação da Marcha Mundial das Mulheres e V Marcha do Coletivo de Mulheres do Norte de Minas em Varzelândia-MG, de 16 a 19 de abril, uma caravana com 36 mulheres saiu de Viçosa na noite de ontem. Agricultoras dos municípios de Acaiaca, Divino, Orizânia, Paula Cândido, Santana do Manhuaçu, São João do Manhuaçu, Simonésia e Viçosa representarão a Zona da Mata e o Leste de Minas no norte do estado.

Outros movimentos de Viçosa e região, como o de estudantes do Núcleo da Marcha Mundial das Mulheres da UFV, o Coletivo de Mulheres de Viçosa, o Núcleo de Estudo Interdisciplinar de Estudo de Gênero, a Casa das Mulheres, a União de Cooperativas da Agricultura Familiar e Economia Solidária, o Coletivo de Mulheres da UFV e a Assessoria Jurídica Universitária Popular marcarão presença no evento.

Com o objetivo de fomentar a participação e a formação política das mulheres, a Marcha permitirá, segundo Juliana Depra, membra do Coletivo de Mulheres de Viçosa, a defesa de outras bandeiras. “Denunciaremos o modelo de mineração vigente e a influência dele sobre a mulher, até porque temos um histórico de falta d’água e de enfrentamento a implantação de mineroduto aqui em Viçosa. Vamos incentivar a auto-organização das mulheres unindo as forças do campo e da cidade”, diz a líder da caravana.

Para a agricultora Maria de Lourdes Mateus, atendida pelo Projeto Mulheres e Agroecologia em Rede do Centro de Tecnologias Alternativas, a viagem “tem tudo para trazer coisas boas e novas para o movimento de mulheres”. Ela, que está em todos os atos e viagens organizados pelo projeto, leva a filha para também marchar e relata que é uma alegria participar das lutas: “A casa e o marido esperam. Só não pode deixar a oportunidade passar”, acrescenta, sorrindo.

Antes de chegar à Varzelândia, está programado um Ato pelas ruas do centro de Montes Claros das 10h ao meio-dia de hoje.  Logo após, a caravana segue viagem rumo ao local da Ação da V Marcha Mundial das Mulheres para se unir com as 4000 mil mulheres esperadas pela organização.

segunda-feira, 13 de abril de 2015

Mulheres da Zona da Mata se mobilizam para a IV ação da MMM



Na última quarta-feira (09/04), 25 mulheres, de diferentes redes e movimentos sociais da Zona da Mata mineira, se reuniram na Lira Santa Rita de Viçosa, para discutir a participação na IV Ação Internacional da Marcha Mundial de Mulheres (MMM) e V Marcha das Mulheres do Norte de Minas.


Os temas debatidos na reunião preparatória foram os mesmos que serão levantados na Marcha em Varzelândia (MG), entre os dias 17 e 19 de abril: mineração, agroecologia, violência e reforma política e constituinte. Liliam Teles, técnica do Centro de Tecnologias Alternativas da Zona da Mata (CTA) e militante da MMM, reforça que os temas em questão contribuem para o entendimento das lutas das mulheres no Norte de Minas, ao mesmo tempo em que expressam realidades da nossa região.
Outra atividade realizada pelo coletivo foi a oficina de “Batucada Feminista”, no sábado (11/04). Na oportunidade, as integrantes confeccionaram, a partir de materiais reciclados, os instrumentos que serão levados para Varzelândia. No dia 16 de abril, a caravana da Zona da Mata viaja rumo ao Norte de Minas.
O objetivo é que as mulheres da Zona da Mata não só participem da Marcha, juntamente com outras cinco mil integrantes de Minas, mas fortaleçam os coletivos que têm lutado localmente pela garantia de direitos das mulheres e igualdade de gênero. Elas defendem outro modelo de desenvolvimento, baseado na justiça social e na sustentabilidade ambiental, em contraponto à exploração dos recursos naturais, do trabalho e do corpo das mulheres.
Estão mobilizadas integrantes da Casa das Mulheres, do Núcleo Interdisciplinar de Estudos de Gênero da UFV, da Campanha Pelas Águas e Contra o Mineroduto da Ferrous, do Centro de Tecnologias Alternativas da Zona da Mata (CTA), do Coletivo de Mulheres de Viçosa, do Levante Popular da Juventude, da Marcha Mundial de Mulheres (MMM), do Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB), do Sindicato Único dos Trabalhadores de Educação de Minas Gerais (Sind-UTE-Viçosa), do Observatório dos Movimentos Sociais da UFV e do Coletivo Vacas Profanas.

quarta-feira, 8 de abril de 2015

CTA participa de livro lançado pelo Ministério de Desenvolvimento Agrário (MDA)

O Ministério de Desenvolvimento Agrário (MDA) lançou a coletânea sobre estudos rurais e gênero, “Mulheres e Agroecologia”, no último 24 de março. A obra divulga os trabalhos premiados na 4ª edição do concurso Margarida Alves e reforça o protagonismo das mulheres na defesa de uma vida justa e saudável no campo, em três categorias: Ensaio Inédito, Relatos de Experiências e Memórias.
http://www.mda.gov.br/sitemda/sites/sitemda/files/user_img_19/Colet%C3%A2nea%20sobre%20Estudos%20Rurais%20e%20Gen%C3%AAro%20WEB.pdf
O Centro de Tecnologias Alternativas na Zona da Mata (CTA) recebeu menção honrosa na categoria Memórias e teve outros oito trabalhos publicados por organizações com quem executa, em parceira, o projeto “Mulheres e Agroecologia em Rede”. Iniciativa que visa contribuir para a autonomia técnica, política e econômica das mulheres rurais, a partir da qualificação dos seus processos organizativos.
 O então Ministro do Desenvolvimento Agrário, Miguel Rossetto, durante a cerimônia de premiação, afirmou que a agroecologia é “uma produção mais próxima à natureza e, portanto, uma produção mais próxima da vida”. Segundo o ministro, as mulheres “dialogam mais e melhor com essa agenda e os trabalhos premiados afirmam a luta pela igualdade de direitos na sociedade brasileira”.
 Há 27 anos presente na Zona da Mata de Minas Gerais, o CTA busca promover a agroecologia como ciência, prática e movimento e possui trabalhos específicos com agricultoras e grupos produtivos de mulheres.  A ONG atua no processo de superação de desigualdades de gênero e melhoria das condições de vida,  por meio do maior acesso das mulheres às políticas públicas voltadas para a agricultura familiar, da qualificação da produção agroecológica e da organização econômica de mulheres.
Os interessados em acessar o livro “Mulheres e Agroecologia” podem fazer o download gratuito na página do Núcleo de Estudos Agrários e Desenvolvimento Rural (NEAD).